A ferida está aberta. Exposta a poeiras, a todo tipo de infecções e contaminações. Penso em limpar, desinfectar, estagnar o sangue até que cicatrize, ganhe uma carapaça e apenas fiquem as marcas do passado. Gosto delas. São bonitas. Contam-me histórias de um tempo passado, vivências, encontros, desencontros, reencontros. Tudo o que vejo no espelho talvez seja fruto das quedas, trambulhões, acidentes e auto-mutilações de que fui sendo alvo. Umas vezes presa, outras vezes carrasca de mim mesma e outras tantas predadora. Coloco o dedo em cima da ferida... Arde. Mas quero levar aquele sofrimento até ao fim. Desta vez não quero abafá-la. Não me vou poupar. Talvez não tenha as costas suficientemente largas para o suportar. Vejo que fazes o mesmo. Chora. Se não és capaz de o suportar, sofre. Não me importa o teu sofrimento sei que nada o vai poder parar... Vem até mim. Quero abraçar-te. Necessito do teu sofrimento. Sei que necessitas do meu (...)
