domingo, 29 de julho de 2007

O essêncial é invisivel para os olhos

Olho timidamente entre a manta que me cobre... Os raios de luz teimam em entrar, rebeldes, e os meus olhos teimam em fechar... Viro-me para o outro lado de forma mimada e inconsequente como querendo adiar o que sei inevitavel... Mais cinco minutos penso... Aqui estou protegida... Puxo o lençol para cima atá à altura do nariz... Enrrosco-me com força como uma segunda pele... Começo a sentir-me incómoda... Sei que não posso mais virar costas... Levanto-me de uma só vez e as paredes parecem girar ao meu redor... Ponho os pés no chão e caminho pela casa vazia tal e como estou... Ainda o personagem da noite anterior agora cambaleante e já ciente da realidade... Começo a sentir um aperto no coração e uma barra de gelo comça a apoderar-se de mim... Abro violentamente as janelas... Sinto o bafo quente de uma tórrida tarde de verão que contrasta com o frio que se instalou dentro de mim... Subo mais um degrau e olho-me ao espelho... A maquilhagem da capa criada naquele dia esborratada mas ainda bem visivel... Tudo agora está tão próximo e doi tanto... Pego no algodão e tiro a pintura de um olho... Engraçado... Sinto-me tão desprotegida agora... Sem aquela roupa que talvez me deixasse tão desconfortavel e inibida na minha procura deseperada por extriorizar o que vinha cá dentro... Flaxes vêm-me à cabeça e a corda que está à volta do meu coração aperta cada vez mais até me custar respirar... Começo a juntar as peças do puzzle e o velho e etremo medo vem ao de cima... Por momentos tenho vergonha, muita vergonha... Mas sei que não devo ter... No fundo um desses flaxes diz-me que fui coerente comigo... Inibida, dentro da minha carapaça... e um grito rompe-a... Que aconteceu? Estaria possuida por algum personagem algures saido de um dos filmes mais negros do Almodovar? Abro o armário e tiro uma camisola... perfeito... Aqui estou eu... A mesma imagem gasta de todos os dias... Vageio mais um pouco pela casa... Recolho a roupa da noite anterior e coloco-a com violencia e angustia no cesto da roupa suja. Agarro nos sapatos e coloco-os na caixa... Umm limpo-os... parecem molhados... a roupa amarrotada tb tem pingos... ummm olho no espelho e tenho os olhos inchados... Saio, bato a porta e caminho... Ao som do "personal jesus" dos Depeche milhares de pensamentos cruzam-se na minha cabeça... A vergonha atenua-se e volto a casa sento-me no parapeito da janela e olho as pessoas que caminham pelas ruas cada uma com o seu mundo, partilhando com os seus mais queridos aquela tarde de verão... E eu que só quero ser eu, fazer girar o meu mundo, fazer renascer o que tenho dentro e não sei como...

"O essêncial é invisivel para os olhos" de Antoine de saint - Exupéry

sexta-feira, 20 de julho de 2007

O puzzle

Hoje acordei com medo...
Medo de perder cada uma das peças que fazem parte da minha vida...
Pouco a pouco e de forma dolorosa...
Tenho tanto medo e porque?
Porque tudo há de ser tão fácil e tão dificil ao mesmo tempo?
Se perco uma peça ficarei com um vazio irremediavel no meu puzzle...
Quero agarrar todas as peças com as duas mãos...
Agarrar forte para que elas não escapem...

Cada momento controlado
Cada pulsar contabilizado
Cada ritmo cardiaco
Cada palavra soletrada
Sofro e penso em cada uma delas...

Estranho...
É tão bom o vislumbrar de uma nova peça que se avizinha...
Arrumar a casa,
Torná-la acolhedora,
quentinha...

Agora que te tenho não te vou deixar sair....
Deste-me tanto trabalho...
Agora ficas comigo!

Deito-me com uma dúvida...
E se as minhas peças estiverem tão agarradas a mim que a unica coisa que me pedem é que siga o pulsar do coração?

O medo...
O desafio...


"No sé si quedan amigos
Ni si existe el amor
Si puedo contar contigo
Para hablar de dolor
Si existe alguien que escuche
Cuando alzo la voz
Y no sentirme sólo

Puede ser que la vida me guíe hasta el sol
Puede ser que el mal domine tus horas
O que toda tu risa le gane ese pulso al dolor
Puede ser que lo malo sea hoy
Naces y vives solo

Voy haciendo mis planes
Voy sabiendo quien soy
Voy buscando mi parte
Voy logrando el control
Van jugando contigo
Van rompiendo tu amor
Van dejándote solo
Naces y vives solo

Algo puede mejorar
Algo que pueda encontrar
Algo que me dé ese aliento
Que me ayude a imaginar
Y yo lo quiero lograr
Y sólo quiero recordar
Y darle tiempo a este momento
Que me ayude a superar
Que me dé tu sentimiento"

Puede Ser . Canto Del Loco