quinta-feira, 15 de novembro de 2007

In to my arms...


A ferida está aberta. Exposta a poeiras, a todo tipo de infecções e contaminações. Penso em limpar, desinfectar, estagnar o sangue até que cicatrize, ganhe uma carapaça e apenas fiquem as marcas do passado. Gosto delas. São bonitas. Contam-me histórias de um tempo passado, vivências, encontros, desencontros, reencontros. Tudo o que vejo no espelho talvez seja fruto das quedas, trambulhões, acidentes e auto-mutilações de que fui sendo alvo. Umas vezes presa, outras vezes carrasca de mim mesma e outras tantas predadora. Coloco o dedo em cima da ferida... Arde. Mas quero levar aquele sofrimento até ao fim. Desta vez não quero abafá-la. Não me vou poupar. Talvez não tenha as costas suficientemente largas para o suportar. Vejo que fazes o mesmo. Chora. Se não és capaz de o suportar, sofre. Não me importa o teu sofrimento sei que nada o vai poder parar... Vem até mim. Quero abraçar-te. Necessito do teu sofrimento. Sei que necessitas do meu (...)

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A viagem

Não sei como cheguei até aqui, mas sei que posso e devo voltar atrás... Olho para o caminho de regresso com a certeza que o vou percorrer sozinha, mas com menor sofrimento do que talvez fosse suposto... Sem pena, nem ponta de arrependimento. Eu sei... Fui eu e só eu que fiz a aquela escolha. Fiz a minha mala carregada de ilusões, sem falsas expectativas e principalmente pensando numa longa caminhada.... E assim foi... Fiz questão de deixar de lado os meus sapatos de salto alto (sem dúvida mais elegantes) e calcei as minhas botas todo o terreno esperando usufruir de toda aquela paisagem florida, perfumada e sedutora. No entanto sabia que não seria fácil (nunca é). Mas pensava estar preparada para os espinhos inerentes, os desafios, os dias de calor devastador e as chuvas gélidas de Inverno. Não queria apenas os raios de sol... Podia mesmo encontrar um deserto sem água mas se ali tinha chegado seria porque assim o tinha querido e apenas eu teria de arcar com a mina própria escolha. No entanto, a viagem a que me propus com todo o meu corpo e energias, naquele dia levou-me por caminhos nunca antes visitados. Foi por minha decisão que peguei na chave e entrei... Tudo estava como deveria ser... Perfeito talvez... Repentina e estranhamente perfeito... Cores harmónicas, formas perfeitas, cheiros agradaveis,... Sentia-me a caminhar por areias movediças e queria mais... Não me sentia segura naquele jogo de aparência e resolvi colher um fruto das suas árvores... Trinquei e de repente aquele cenário paradisico transformou-se num cenário negro... Vi-me diante de um cenário camaleónico adaptável a todas as situações... Delicado quando confrontado com a fragilidade, sedutor quando confrontado com a beleza, agressivo quando confrontado com a violência... Senti-me perdida, mas segura. Segura de que ali não queria estar... Regressei... Abracei com todas as forças os cenários meus velhos conhecidos. Negros talvez, frageis, cambaleantes, mas sem vestimentas, sem capas, sem falsos ornamentos.... Quero-te a ti... Sim a ti talvez cinzento, sofrido, amaralecido pelo tempo, fustigado pelas ventanias dos dias de Inverno, mas também aperaltado pelas flores que soubeste cuidar e regar... Quero-te a ti. Sol de Verão e chuva de Inverno. Cheiro de rosas, cheiro nauseabundo. Vermelho vivo, cinzento triste. Pele macia, rugas de cansaço. Rosa suave, púrpura misteriosa. Escolhi-te a ti... Tal e qual como és...