Não sei como cheguei até aqui, mas sei que posso e devo voltar atrás... Olho para o caminho de regresso com a certeza que o vou percorrer sozinha, mas com menor sofrimento do que talvez fosse suposto... Sem pena, nem ponta de arrependimento. Eu sei... Fui eu e só eu que fiz a aquela escolha. Fiz a minha mala carregada de ilusões, sem falsas expectativas e principalmente pensando numa longa caminhada.... E assim foi... Fiz questão de deixar de lado os meus sapatos de salto alto (sem dúvida mais elegantes) e calcei as minhas botas todo o terreno esperando usufruir de toda aquela paisagem florida, perfumada e sedutora. No entanto sabia que não seria fácil (nunca é). Mas pensava estar preparada para os espinhos inerentes, os desafios, os dias de calor devastador e as chuvas gélidas de Inverno. Não queria apenas os raios de sol... Podia mesmo encontrar um deserto sem água mas se ali tinha chegado seria porque assim o tinha querido e apenas eu teria de arcar com a mina própria escolha. No entanto, a viagem a que me propus com todo o meu corpo e energias, naquele dia levou-me por caminhos nunca antes visitados. Foi por minha decisão que peguei na chave e entrei... Tudo estava como deveria ser... Perfeito talvez... Repentina e estranhamente perfeito... Cores harmónicas, formas perfeitas, cheiros agradaveis,... Sentia-me a caminhar por areias movediças e queria mais... Não me sentia segura naquele jogo de aparência e resolvi colher um fruto das suas árvores... Trinquei e de repente aquele cenário paradisico transformou-se num cenário negro... Vi-me diante de um cenário camaleónico adaptável a todas as situações... Delicado quando confrontado com a fragilidade, sedutor quando confrontado com a beleza, agressivo quando confrontado com a violência... Senti-me perdida, mas segura. Segura de que ali não queria estar... Regressei... Abracei com todas as forças os cenários meus velhos conhecidos. Negros talvez, frageis, cambaleantes, mas sem vestimentas, sem capas, sem falsos ornamentos.... Quero-te a ti... Sim a ti talvez cinzento, sofrido, amaralecido pelo tempo, fustigado pelas ventanias dos dias de Inverno, mas também aperaltado pelas flores que soubeste cuidar e regar... Quero-te a ti. Sol de Verão e chuva de Inverno. Cheiro de rosas, cheiro nauseabundo. Vermelho vivo, cinzento triste. Pele macia, rugas de cansaço. Rosa suave, púrpura misteriosa. Escolhi-te a ti... Tal e qual como és...