Súbita, uma angústia...
Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma!
Que amigos que tenho tido!
Que vazias de tudo as cidades que tenho percorrido!
Que esterco metafísico os meus prpósitos todos!
Uma angústia,
Uma desconsolação da epiderme da alma,
Um deixar cair os braços ao sol-pôr do esforço...
Renego.
Renego tudo.
Renego mais do que tudo.
Renego a gládio e fim todos os Deuses e a negação deles.
Mas o que é que me falta, que o sinto faltar-me no estômago e na
circulação do sangue?
Que atordoamento vazio me esfalfa no cérebro?
Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?
Não: vou existir. Arre! Vou existir.
E-xis-tir...
E--xis--tir ...
Meu Deus! Que budismo me esfria no sangue!
Renunciar de portas todas abertas,
Perante a paisagem todas as paisagens,
Sem esperança, em liberdade,
Sem nexo,
Acidente da inconseqüência da superfície das coisas,
Monótono mas dorminhoco,
E que brisas quando as portas e as janelas estão todas abertas!
Que verão agradável dos outros!
Dêem-me de beber, que não tenho sede!
Álvaro de Campos-------Hoje acordei com sede.
Boca seca...
Alma seca...
Sede desse tal EXISTIR...
E-xis-tir...
Com sofrimento,
Alegria,
Negando,
Renegando,
Escolhendo,
Rejeitando
Sonhando,
Dividindo,...
Negando atalhos.
Escolhendo outros tantos.
Não os justificando...
EXISTIR.
SER.
GOSTAR?!?
Dos nossos devaneios.
Sonhos.
Alucinações.
Meditações.
Risos.
Sorrisos.
Tenho a meu lado o "Bicarbonato de Soda"...
Hoje vou negá-lo.
Hoje escolhi-me a mim.
Sem medos, nem falsas esperanças...
Vou sorrir e chorar...
E-XIS-TIR...
Sabendo que tu "Bicarbonato de Soda" estarás sempre a meu lado...
Refugio da minha cobardia...
Piscando-me o olho...
Sempre com a esperança de nunca te provar...
Chegar ao fim e dizer...
Negei-te e Aceitei-me....
Venci-te "Bicarbonato de Soda"!