Olhei em volta... Depois de muito tempo parece que pestanejei e os meus olhos ousaram semi-cerrarem-se depois daquela sucessão de acontecimentos mais uma vez assistidos mas não vividos e negados... Talvez para futuras oportunidades, mais uma vez renegadas e existências mais umas vez assistidas mas não vividas... Olhei e senti que a ténua luz que penetrava nos meus olhos (os pouco raios que em momentos de coragem conseguiam entrar) me provocava dor... Os meu olhos ardiam. Talvez por medo... Talvez por vontade... Para no final tudo voltar a ser guardado nessa enorme borbulha cujas paredes (outrora de fina espuma) se tinham desenvolvido transformando-se numa concha de aparência bonita, simpática e talvez agradavel e diferente, mas cujo interior estava guardado sob paredes grossas e intransponiveis... Faceis de chegar, verdade. Fácil de mais talvez... Mas cuja entrada estava selada a sete chaves e quem ousasse pensar em transpor essas mesmas paredes teria de estar sujeito a 1000 anos de sacrifícios e cedências fazendo tudo aquilo que controladamente o mundo fictício dessas paredes pedia... Tonta e pobre concha! Ninguém com o mínimo de amor próprio estaria disposto a fazê-lo... Olhei de novo em volta... De forma mais atenta depois de tantos anos de sono profundo... Olhei pela primeira vez usando dignamente essa palavra: olhar e realmenete ver... Ver e ver de novo... Rodei sobre mim própria... Rodei, rodopiei de forma desesperada e cada vez que rodava via o mesmo e sempre o mesmo! Paredes e mais paredes... Meu Deus! Tinha construido de forma engenhosa e manipuladora uma muralha gigantesca à minha volta... Olhei para cima e ela lá estava persistente.... Mas olhei novamente e a minha muralha não estava fechada! Havia céu, havia luz, risos e gente dolorosamente real... E espaço onde podia voar e não mais sonhar, mas viver o outrora sonhado fazendo-o meu... Mas essse azul do céu estava lá em cima... Tão em cima que para lá chegar tinha de derrubar as paredes tão cuidadosamente construidas em torno de mim... Com o trabalho que me deram! Agora estarei eu disposta a destrui-las? Assim?!? Sem dó nem piedade? Fiz uma pequena viagem ao passado recordando quantos mensageiros disfarçados vieram ter comigo estendendo-me a mão e oferecendo-me as chaves. Ou apenas uma corda para que escalasse as minhas paredes e me pudesse ajudar a libertar... Pensei em fazer crescer o cabelo e fazer uma enorme trança para que um cavaleiro dourado escalasse por ela, tirando a armadura e me fizesse apaixonar e o seu amor me salvasse. Mas descobri que armaduras douradas estão fora de moda, que nem todos (talvez como eu própria) estejam dispostos a escalar tranças sem contrapartidas e nem o amor dos outros fosse a salvação, mas sim apenas o inicio de uma rampa de lançamento a que tivesse de dar provas de ser merecedora... Talvez tenha descoberto que eu também quero! Quero não sei bem o quê, mas caramba QUERO! Sei o que não quero... Verdade! Agora tenho de descobrir o que quero e o único que sei é que quero encontrar as chaves que me roubaram um dia e que me prendem a esta enorme muralha de paredes grossas e altas... Quem tem as chaves? Quero saber... Quem me vem salvar? Olhei de novo em volta... Mas desta vez os meus olhos já não estão semi cerrados... Estão abertos, completamnete abertos! Depois de muitos auto-enganos, renenegações e estalos carinhosamente dados por aqueles que perssistem em ajudar a libertar-me... Os meus olhos estão escancarados... E que vejo eu?!? Ali à minha frente! Tão brutalmente real...
Enorme, luzidia e a poucos centimetros de mim....
É ela? Será?
Sim... Sim? É ela!
Ela unicamente ela!
Uma enorme chave! E bem diante dos meus olhos!
Lá estava ela...
Onde sempre esteve....
E eu que descobri que a chave do meu castelo nunca me foi roubada...
Aqui está ela...
(...)
Bem na palma da minha mão...
quarta-feira, 23 de julho de 2008
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