A ferida está aberta. Exposta a poeiras, a todo tipo de infecções e contaminações. Penso em limpar, desinfectar, estagnar o sangue até que cicatrize, ganhe uma carapaça e apenas fiquem as marcas do passado. Gosto delas. São bonitas. Contam-me histórias de um tempo passado, vivências, encontros, desencontros, reencontros. Tudo o que vejo no espelho talvez seja fruto das quedas, trambulhões, acidentes e auto-mutilações de que fui sendo alvo. Umas vezes presa, outras vezes carrasca de mim mesma e outras tantas predadora. Coloco o dedo em cima da ferida... Arde. Mas quero levar aquele sofrimento até ao fim. Desta vez não quero abafá-la. Não me vou poupar. Talvez não tenha as costas suficientemente largas para o suportar. Vejo que fazes o mesmo. Chora. Se não és capaz de o suportar, sofre. Não me importa o teu sofrimento sei que nada o vai poder parar... Vem até mim. Quero abraçar-te. Necessito do teu sofrimento. Sei que necessitas do meu (...)

4 comentários:
Nos braços de alguém, há feridas que nunca saram. E dessas feridas, nem anjos ou deuses intervencionistas nos salvam... E se realmente o Amor for uma doença em que acreditamos para atingir "a salvação", que nos resta então, do outro lado do espelho, para além de nós próprios com as nossas feridas? Chorar por sofrer, às vezes, pode ser uma benção. Sobretudo quando já não se consegue mais fazê-lo, ou evitá-lo...
Beijos.
Sentir as nossas feridas, sofrer e procurar refugio nos braços de alguém... Sem dúvida não as vai curar... Mas sentir um coração que bate junto ao nosso talvez possa "afagar" o que levamos dentro. Deuses intervencionistas? :) Como bem diz Nick Cave também não acredito na sua existência... Prefiro acreditar que cabe a cada um de nós intervir e pegar nas rédeas do nosso destino, por mais que as mesmas teimem em nos escaper entre os dedos...
Bjs.
Olá Sofia
Mais tempo, menos tempo...todas as feridas saram. E todas elas são importantes para fazerem de nós o que somos. Como dizes, fazem parte da nossa história!
E parabéns pela escolha do Nick, já não o ouvia há um tempo.
Fica bem, beijos
PS: e gosto de ver que (já) não te coíbes de viver por medo das feridas!
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