segunda-feira, 31 de agosto de 2009

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O silêncio é apenas isso... Silêncio. Ou por ser "apenas" isso encerra em si tantos significados, teias, respostas e cores. Pois, para mim o silêncio tem cor, cheiro e textura... Por vezes sinto-a é rugosa com partes ásperas e macias. Por vezes sorri para mim e outras tantas dele tive medo... Tem olhos, nariz e boca. Vive e revive em mim. Por vezes, ultimamente mais do que o esperado, tento abafá-lo, não o ouço, quero amarrá-lo e tapar as orelhas para não o ouvir... Sim, é engraçado mas o silêcio ouve-se. Eu ouço-o... Por vezes bate como as ondas do mar leva-me e faz-me sonhar. Outras deixa-me numa ilha deserta ou repleta de passageiros idesejados que me atormetam e fustigam. Gosto dele. Sim dele mesmo. Do silêncio. Nunca me mente. É cru e nu. Não se pode mascarar, não se veste, nem fala, nem usa metáforas. Está sempre diante de mim. Assim como uma verdade imutavel, verdadeira e incómoda quiçá, mas verdadeira e genuina. Utilizo-o tantas vezes como resposta até mesmo como argumento. Como este que alguns meses apresentei neste meu espaço. O silêncio. Agoro voltei carregada de letras, frases, alegorias e histórias. mas ele continua... Não quero perder o meu guia, não quero deixar de me evadir e olhar de frente para a minha verdade... Ele que nos acompanha em todos os momentos, a quem não podemos mentir...

O silêncio.

"Uma pessoa sabe sempre a verdade, essa outra verdade que é oculta pelas representações, pelas máscaras e pelas circunstâncias da vida."

Sandor Márai, As velas ardem até ao fim

terça-feira, 14 de abril de 2009

Interiores I

"Por ter-se de relance visto de corpo inteiro ao espelho, pensou que a protecção também seria não ser mais um corpo único: ser um único corpo dava-lhe, como agora, a impressão de que fora cortada de si própria. Ter um corpo único circundado pelo isolamento, tornava tão delimitado esse corpo, sentiu ela, que então amedrontava-se de ser uma só, olhou-se avidamente de perto no espelho e disse-se deslumbrada: como sou misteriosa, sou tão delicada e forte, a curva dos lábios manteve a inocência.
Pareceu-lhe então, meditativa, que não havia homem ou mulher que por acaso não se tivesse olhado ao espelho e não se surpreende-se consigo próprio. Por uma fracção de segundo a pessoa via-se como um objecto a ser olhado, o que poderiam chamar de narcisismo mas ela chamaria de: gosto de ser. Encontrar na figura exterior os ecos da figura interna: ah, então é verdade que eu não imaginei: eu existo."

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"Através dos seus graves defeitos - que um dia ela talvez pudesse mencionar sem se vangloriar - é que chegara agora a poder amar. Até aquela glorificação: ela amava o Nada. E aquelas quedas - como as de Cristo que várias vezes caiu ao peso da cruz - e aquelas quedas é que começavam a fazer a sua vida. Talvez fossem os seus apesar de que cheios de angústia e desentendimento de si própria, a estivessem a levar a construir pouco a pouco uma vida. Com pedras de material ruim ela levantava talvez o horror, e aceitava o mistério de com horror amar o Deus desconhecido. Não sabia o que fazer de si própria, já nascida, senão isto: Tu, ó Deus, que eu amo como quem cai no nada."

Clarice Lispector in Uma aprdizagem ou o livro dos prazeres

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

EU

Quando...

Ninguém te entende, não te consegues explicar...

(E explicar para quê?)

É BOM...

Olhar para dentro e sorrir, afagar o teu ego outrora perdido e agora encontrado...

É BOM...

Quando as nossas certezas e determinações nos dominam e as palavras dos outros nos passam ao lado como uma suave brisa sem provocar qualquer arranhão.

É o EU que fui adubando e que agora finalmente desponta e se fortifica de forma natural e me dá imunidade.

E é tão BOM...

Poder dar o melhor aos outros quando nos conhecemos e confiamos...
Seleccionar, gostar, desgostar, sorrir, criticar, falar alto e praguejar.
Voltar para casa com a certeza daquele EU definido e por definir...
Aquele que outrora andava perdido, agora resgatado...

E GOSTO...

De andar no meio da multidão perdida entre rostos diferentes, desconhecidos e passos apressados...

É BOM...

Sentir o meu EU encontrado no meio da multidão.

Sentir é criar.
Sentir é pensar sem ideias, e por isso sentir é compreender, visto que o Universo não tem ideias. (...) Faz da tua alma uma metafisica, uma ética e uma estética. Substitui-te a Deus indecorosamente. É a única atitude verdadeiramente religiosa (Deus está em toda a parte excepto em si próprio).

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Change!



Voltei...

Ao meu encontro...

Mas será que algum dia cheguei mesmo a partir?

Estou de volta...

Primeiro de tudo...

A mim e para mim.