Descobri um segredo!
Sim... Eu descobri...
O segredo das palavras!
Depois de tanto tempo...
Tanto tempo maravilhada como os outros as empregavam...
Observando como terceiros as utilizavam...
Como se de uma competição se tratasse!
Cada um atropelando-se...
Dando-se a conhecer através de adjetivos, substantivos e verbos...
Eu ali estava...
No meu cantinho olhando, olhando...
De tal forma absorta que me esquecia de partipar naquela guerra semântica!
Mas na verdade eu já era paticipante!
E talvez a mais importante dos participantes!
Eu que ouvia e dava o meu olhar atento...
Mas parecia que não era suficiente...
E eu sabia que não era.
Como queria que os outros me observassem e me dessem o seu olhar se me esquecia de "destapar-me" e dar-me a conhecer?
Sim... mesmo que para isso tivesse de me degladear e entrar na floresta de epígrafes, sinónimos, antónimos e alegorias...
Assim tinha de ser e assim seria!
Agora sim estava prestes a entrar dentro do jogo!
Já não me sentia satisfeita...
Achei que os outros mereciam mais...
E que eu principalmente queria e necessitava mais!
As palavras eram certamente o caminho!
A estrada que me levaria ao universo fantástico a que se chama "conhecimento humano"!
Por vezes tortuoso e complexo mas se não fossem elas como criar laços, como criar fortalezas e amarras?
Como criar portos seguros, provocar arrepios, choques, desprezos e paixões?
O tempo foi passando...
Hoje domino-as e manipulo-as!
Talvez...
Emprego-as e com elas me camuflo...
Entrei finalmente no jogo...
No jogo das palavras!
Quero sempre mostrar as minhas...
Encontrei nelas um amigo, um refugio...
Tornei-me numa contadora de histórias!
Aprendi a conhecer os outros contadores de histórias e a querer conhecer muitos mais...
Hoje as palavras dominam-me, julgando outrora ter aprendido eu a dominá-las...
Faço, crio, recrio...
Crio cenários perfeitos,
Escondo-me e oculto-me por detrás delas...
Utilizo-as de forma entusiasta e segura...
Formo uma linha direitinha composta por letras...
Frases e parágrafos esmeradamente construidos e tão "limpinhos"...
Sinto falta...
Falta daquele meu olhar atento.
Sinto falta do silêncio...
Do MEU silêncio!
Sei que, agora mais que nunca, necessito mergulhar nele.
Mas agora que sou mestre nas palavras...
Não... Não o quero fazer!
Não consigo ou talvez consiga, mas não queria...
Sobreponho-as ao silêncio...
É mais fácil, menos doloroso...
Descobri...
Descobri que viver é tanto...
Tanto mais que palavras...
Tão mais maravilhosamente e dolorosamente real...
Já não vos quero como minhas amigas!
Quero desconstruir-vos...
Poupar-vos...
Mergulhar no meu silêncio...
Não são vocês que sentem, que cheiram, que provam o doce e o amargo, que podem sentir formas, que vibram, que choram e riem por mim...
Já não quero ser contadora de histórias!
Eu QUERO ser personagem principal.
"Tudo isto são coisas, coisas que nós podemos amar. Mas não posso amar palavras. É por tudo isso que não aprecio as doutrinas, não têm dureza ou moleza, não têm cores, não têm arestas, não têm cheiro, não têm gosto, nada têm senão palavras. Talvez seja isso que impede de encontrares a paz, talvez sejam as palavras em excesso. Porque também libertação e virtude, também Samsara e Nirvana são meras palavras. Nada existe que seja o Niirvana; apenas existe a palavra Nirvana."
Hermann Hesse
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