segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta...

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!

Alberto Caeiro

Toco em mim e sinto...
Olho no espelho e vejo...
Toco e sinto.
Olho e vejo.

MAS...

Que difícil ser próprio e não ser senão o visível (...)

1 comentário:

David disse...

É curioso como se pode aprender tanto com um ser vivo tão frágil e indefeso como uma flôr ou uma planta.

O Profeta Kahill Gibran também me deu outrora uma lição sobre tão maravilhosos seres vivos.

"A consciência de uma planta no meio do Inverno não está voltada para o Verão que passou, mas para a Primavera que irá chegar. A planta não pensa nos dias que já foram, mas nos que virão. Se as plantas estão certas de que a Primavera virá, porque é que nós - humanos - não acreditamos que um dia seremos capazes de atingir tudo o que queremos?"